Por que ataques avançados continuam a contornar os filtros tradicionais de e-mail
Ataques por e-mail continuam sendo uma das principais portas de entrada para fraudes e golpes, mesmo em empresas que investem em segurança. Phishing, Business Email Compromise (BEC) e fraudes financeiras continuam escapando dos filtros tradicionais porque o modelo de proteção adotado por muitas empresas não acompanha a forma como esses ataques são executados hoje.
O problema não está na ausência de tecnologia, mas na lógica por trás dela. Enquanto os filtros de e-mail tradicionais continuam focados em identificar spam, malware e padrões conhecidos, os ataques mais relevantes migraram para um modelo que explora processos internos, a confiança entre pessoas e decisões tomadas sob pressão.
Neste artigo, analisamos por que os filtros tradicionais de e-mail falham diante desse cenário e quais limitações explicam a eficácia crescente dos ataques direcionados.
Principais tópicos deste artigo
Filtros tradicionais resolvem problemas antigos
Filtros de e-mail surgiram para lidar com volume. Spam em massa, campanhas automatizadas e malware distribuído em larga escala eram o principal problema a ser resolvido. Nesse contexto, regras, listas de reputação e assinaturas funcionavam bem.
Hoje, a maioria dos ataques relevantes não depende de volume nem de código malicioso. O e-mail chega dentro do padrão esperado, com linguagem adequada, remetente plausível e sem elementos técnicos que justifiquem bloqueio automático.
O filtro faz exatamente o que foi projetado para fazer e, ainda assim, o ataque passa. O descompasso não é operacional, é conceitual.
Ataques avançados respeitam regras técnicas
Uma característica central dos ataques avançados é o respeito às regras técnicas do ecossistema de e-mail. Mensagens passam por autenticação, utilizam domínios válidos e não carregam anexos ou links conhecidos como maliciosos. Não, pelo menos, em um primeiro momento.
Protocolos como SPF, DKIM e DMARC confirmam a origem da mensagem, mas não avaliam o conteúdo nem a intenção. Do ponto de vista do filtro, o e-mail é legítimo. As referências do Google para SPF, DKIM e DMARC ajudam a entender o escopo dessas validações.
É nesse ponto que o risco se materializa. O ataque não tenta violar o sistema, mas induzir uma ação. Aprovar um pagamento, alterar dados bancários, compartilhar informações sensíveis ou simplesmente responder a uma solicitação fora do padrão.
A engenharia social mudou todo o jogo
Quando o ataque não depende de malware, a engenharia social passa a ser o vetor principal. O criminoso não precisa enganar a tecnologia, apenas convencer a pessoa certa, no momento certo. E essas mensagens são construídas com base no contexto.
Essas mensagens são construídas a partir de rotinas financeiras, relações com fornecedores, hierarquias internas e períodos de maior pressão operacional. O uso de IA ampliou ainda mais essa capacidade, tornando o texto mais coerente, o tom mais natural e os erros menos evidentes, como já observado em golpes com IA.
Filtros antispam continuam eficazes contra campanhas genéricas e automatizadas, mas têm alcance limitado diante de ataques direcionados, desenhados para se parecer com comunicações legítimas do dia a dia. Por isso, boas práticas de prevenção seguem relevantes no ambiente corporativo.
O contexto está fora da análise
Outra limitação dos filtros tradicionais é a incapacidade de analisar o contexto organizacional. Eles avaliam a mensagem isoladamente, não o processo ao qual ela se conecta.
O filtro não sabe se aquele pedido foge do padrão daquela área, se o remetente costuma solicitar esse tipo de ação ou se a urgência apresentada faz sentido naquele fluxo. Quem percebe isso é a pessoa, não a ferramenta.
Por esse motivo, falhas humanas continuam sendo uma das principais causas de incidentes relacionados a e-mail. Não por negligência, mas porque o ataque foi desenhado para se encaixar na rotina. Esse fator aparece de forma recorrente em erros humanos que mais causam incidentes de segurança e nas discussões sobre cultura de segurança digital.
Pouca visibilidade, pouco aprendizado
Mesmo quando um ataque ocorre, muitas ferramentas tradicionais de segurança de e-mail oferecem visibilidade limitada sobre tentativas de fraude que não envolvem malware. Em geral, elas mostram o que foi bloqueado, como spam em massa e anexos maliciosos, mas fornecem pouco contexto sobre mensagens suspeitas que foram entregues e quase resultaram em um incidente.
Sem esse nível de visibilidade, fica difícil identificar padrões, ajustar processos e agir de forma preventiva antes que o impacto aconteça.
Conclusão
Ataques continuam passando pelos filtros tradicionais de e-mail porque esses mecanismos foram projetados para um tipo de ameaça que deixou de ser predominante. Hoje, o foco dos criminosos está em explorar contexto, confiança e decisões humanas, não falhas técnicas.
Enquanto filtros analisam estrutura e reputação, os ataques operam sobre processos internos. Reduzir esse risco exige reconhecer as limitações do modelo tradicional e repensar a segurança de e-mail como um problema que envolve tecnologia, pessoas e processos.
Segurança de e-mail com IA e conscientização de usuários
Nesse contexto, soluções de segurança com IA ajudam a identificar e bloquear e-mails maliciosos e suspeitos ao analisar sinais comportamentais, padrões de envio, anomalias e contexto, não apenas reputação, assinaturas e regras estáticas.
Esse tipo de abordagem é o foco do MailInspector, da HSC Labs, que adiciona camadas de detecção para mensagens suspeitas que tendem a passar pelos filtros tradicionais. Esse tema também se conecta à discussão sobre como a IA é usada para detectar e bloquear e-mails maliciosos e aos critérios de avaliação de uma solução antiphishing.
Ao mesmo tempo, o fator humano precisa ser tratado como parte do sistema de defesa, não como exceção. Processos bem definidos e conscientização contínua reduzem a probabilidade de erro e limitam o impacto quando uma tentativa de fraude ocorre.
Plataformas como o MindAware apoiam esse trabalho ao estruturar programas contínuos de educação, reforçando comportamentos esperados, o que costuma ser decisivo em tentativas de BEC e phishing direcionado.
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