Risco humano em cibersegurança: o que sua empresa precisa medir
Empresas investem em firewalls, segurança de e-mail, proteção de endpoints, autenticação multifator e diferentes controles para reduzir riscos técnicos. Mas o risco humano, uma parte importante da segurança que depende das decisões tomadas pelos usuários no dia a dia, também precisa ser gerenciado.
Abrir um link suspeito, informar credenciais em uma página falsa, aprovar uma solicitação sem validação ou deixar de reportar uma mensagem maliciosa são comportamentos que podem aumentar a exposição da organização.
Por isso, a gestão de risco humano em cibersegurança tem ganhado espaço. A proposta é ir além do treinamento e começar a entender, com dados, quais comportamentos representam maior risco, quais grupos estão mais expostos e se as ações de conscientização estão realmente produzindo resultados.
Mas o que exatamente deve ser medido? Neste artigo, vamos trazer mais detalhes sobre o tema.
Principais tópicos deste artigo
O que é risco humano em cibersegurança?
Risco humano é a possibilidade de uma ação, decisão ou comportamento de uma pessoa contribuir para um incidente de segurança.
Isso não significa tratar o usuário como o problema da segurança da informação.
Pessoas fazem parte de processos, trabalham sob pressão, recebem grandes volumes de mensagens e lidam diariamente com solicitações que precisam avaliar rapidamente.
Criminosos exploram justamente esse contexto.
Ataques de phishing, BEC, engenharia social e roubo de credenciais são criados para parecer legítimos e induzir uma ação. Quanto mais convincente for a abordagem, maior a possibilidade de alguém tomar uma decisão de risco.
Por isso, gerenciar esse cenário exige identificar padrões, acompanhar comportamentos e direcionar ações para os pontos de maior exposição.
Abaixo, mostramos os principais indicadores que a gestão de risco humano deve acompanhar.
Treinamentos concluídos
Um dos indicadores mais comuns em programas de conscientização é a taxa de conclusão dos treinamentos.
Ela é útil para saber se o conteúdo foi entregue e consumido. Sozinha, porém, não mostra se houve mudança de comportamento.
Um colaborador pode concluir todos os cursos obrigatórios e ainda clicar em uma mensagem de phishing simulada. Outro pode ter um bom desempenho em treinamentos, mas não reportar mensagens suspeitas. Um terceiro pode melhorar de forma consistente ao longo de várias campanhas.
Por isso, a mensuração de risco humano precisa combinar diferentes informações.
O objetivo não é apenas saber quem participou de um treinamento, mas entender como os usuários reagem diante de situações de risco.
Taxa de clique em simulações de phishing
A taxa de clique é um dos indicadores mais conhecidos em programas de conscientização.
Ela mostra quantos usuários interagiram com um link ou elemento de uma campanha simulada de phishing.
Esse dado ajuda a identificar temas ou abordagens que conseguem enganar com maior frequência e também permite observar a evolução ao longo do tempo.
Porém, é importante não analisar o número isoladamente.
Uma campanha simples e outra muito direcionada podem produzir resultados bastante diferentes. O contexto da simulação, o público envolvido e a dificuldade da mensagem precisam ser considerados na interpretação.
A taxa de clique funciona melhor quando faz parte de uma série histórica e é comparada com outros indicadores.
Envio de credenciais em simulações
Clicar em uma mensagem suspeita já representa um comportamento de risco. Inserir usuário e senha em uma página simulada representa uma etapa adicional.
Por isso, programas de conscientização podem acompanhar separadamente usuários que apenas interagiram com a mensagem e aqueles que chegaram a fornecer credenciais dentro da simulação.
Essa distinção ajuda a identificar diferentes níveis de exposição e também permite direcionar melhor as ações educativas.
Um usuário que abriu uma mensagem pode precisar de um tipo de orientação, enquanto alguém que repetidamente fornece dados em páginas falsas pode demandar uma abordagem mais específica.
Taxa de reporte de mensagens suspeitas
Nem todos os indicadores devem medir apenas comportamentos de risco.
Reportar uma mensagem suspeita é um comportamento positivo e pode contribuir diretamente para a segurança da organização.
Quando um usuário identifica um possível phishing e comunica rapidamente à equipe responsável, a empresa ganha tempo para investigar a ameaça e verificar se outros colaboradores receberam a mesma mensagem.
Por isso, a taxa de reporte é um indicador importante.
Mais do que reduzir cliques, um programa maduro deve aumentar a capacidade dos usuários de reconhecer e comunicar situações suspeitas.
Tempo entre o recebimento e o reporte
Além de saber quantas pessoas reportam uma mensagem, também vale observar quanto tempo levam para fazer isso.
Em um ataque real, velocidade importa.
Uma ameaça identificada rapidamente pode permitir que a equipe de segurança investigue a campanha, remova mensagens semelhantes e reduza a exposição de outros usuários.
Por outro lado, uma mensagem que permanece durante horas sem ser reportada oferece mais tempo para interação.
Acompanhar o tempo de resposta ajuda a avaliar não apenas se os usuários reconhecem uma ameaça, mas também se sabem como agir diante dela.
Reincidência também deve ser acompanhada
Uma única falha não é suficiente para definir o nível de risco de uma pessoa, enquanto o comportamento ao longo do tempo oferece uma visão mais útil.
Se um usuário interage repetidamente com campanhas simuladas, fornece credenciais em diferentes testes ou demonstra dificuldade em reconhecer determinados tipos de ataque, existe um padrão que merece atenção.
A reincidência ajuda a diferenciar um evento pontual de um comportamento recorrente.
Isso permite direcionar treinamentos e campanhas com maior precisão, em vez de aplicar exatamente a mesma abordagem a todos os colaboradores.
Evolução do usuário ao longo do tempo
A gestão de risco humano também deve medir melhoria.
Um usuário que inicialmente apresentava comportamento de maior risco pode evoluir depois de treinamentos, campanhas e simulações. Essa mudança precisa aparecer nos indicadores.
Acompanhar a evolução evita que a empresa mantenha uma visão estática sobre os colaboradores.
Para além de classificar pessoas permanentemente como “seguras” ou “inseguras”, o objetivo de um programa de conscientização é identificar comportamentos que podem melhorar e verificar se as ações adotadas estão produzindo resultado.
O risco não é igual para todos os usuários
Dois colaboradores podem apresentar o mesmo comportamento e, ainda assim, representar níveis diferentes de risco para a organização.
Isso acontece porque a exposição e as funções dentro da organização também importam.
Um profissional do financeiro, por exemplo, pode ter autorização para realizar pagamentos, enquanto um executivo pode ter acesso a informações estratégicas. Já uma conta administrativa pode permitir alterações importantes em sistemas corporativos, o que também aumenta a exposição a ataques.
Portanto, esses fatores precisam entrar na análise.
Cargo e função
Algumas funções são mais visadas por criminosos porque possuem acesso a dinheiro, informações ou decisões importantes.
Financeiro, diretoria, RH, compras, jurídico e TI são exemplos frequentes.
Nível de acesso
Quanto maior o acesso a sistemas, informações e recursos, maior pode ser o impacto de um comprometimento.
Usuários privilegiados merecem atenção específica dentro de uma estratégia de risco humano.
Exposição externa
Profissionais que se comunicam frequentemente com clientes, fornecedores e parceiros recebem mais mensagens externas e podem estar mais expostos a tentativas de phishing e impersonação.
Por isso, volume e tipo de interação também ajudam a compor a avaliação de risco.
Indicadores por área ajudam a revelar padrões
Além dos resultados individuais, também é possível obter informações importantes com a análise dos indicadores por área.
Uma determinada área pode apresentar taxas de clique acima da média. Outra pode ter poucos cliques, mas baixo índice de reporte. Um departamento específico pode demonstrar dificuldade recorrente diante de golpes relacionados a fornecedores.
A análise por grupo ajuda a encontrar padrões.
Esses dados podem orientar campanhas específicas para financeiro, RH, compras, diretoria ou outras equipes com necessidades diferentes.
A conscientização deixa de ser uma comunicação genérica para toda a empresa e passa a responder a riscos observados na prática.
Resumo de quais indicadores acompanhar na gestão de risco humano
Não existe um único número capaz de representar todo o risco humano de uma organização.
O ideal é combinar diferentes indicadores, como:
- taxa de clique em simulações de phishing;
- envio de credenciais em campanhas simuladas;
- taxa de reporte de mensagens suspeitas;
- tempo médio para reporte;
- reincidência em comportamentos de risco;
- evolução individual ao longo das campanhas;
- desempenho por área ou grupo;
- participação e conclusão de treinamentos;
- resultados de avaliações de conhecimento;
- nível de exposição relacionado à função e ao acesso.
A combinação desses dados cria uma visão mais completa do que simplesmente medir a participação em treinamentos.
Como transformar indicadores em ações
Para trazer valor real, os indicadores precisam ajudar a empresa a decidir o que fazer em seguida.
Se uma área apresenta dificuldade em identificar falsas solicitações de pagamento, por exemplo, a próxima campanha pode abordar BEC e fraudes com fornecedores.
Se usuários clicam pouco, mas também quase nunca reportam mensagens suspeitas, a estratégia pode reforçar o processo de reporte.
Se determinado grupo apresenta reincidência elevada, treinamentos específicos ou campanhas mais frequentes podem ser necessários.
Os dados também ajudam a evitar excesso de treinamento para usuários que já apresentam bom desempenho, direcionando esforços para onde existe maior necessidade.
O risco humano precisa ser acompanhado continuamente
Uma avaliação feita uma única vez oferece apenas uma fotografia daquele momento.
O comportamento muda, novos colaboradores entram na empresa, funções são alteradas e os golpes usados por criminosos evoluem.
Por isso, gestão de risco humano exige acompanhamento contínuo.
Simulações periódicas, treinamentos atualizados e análise de indicadores permitem observar tendências e identificar mudanças antes que elas se transformem em problemas maiores.
Esse acompanhamento também ajuda a demonstrar a evolução do programa para gestores e equipes de segurança.
Gestão de risco humano com o MindAware
A Oblock distribui o MindAware, solução da HSC Labs voltada à conscientização e à gestão de risco humano. A plataforma reúne campanhas de treinamento, simulações de phishing e indicadores que ajudam empresas a acompanhar a evolução dos usuários e direcionar ações de acordo com os riscos identificados.
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